Archive for the ‘Pare de chorar e dance’ Category

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“É tarde! É tarde!”

outubro 12, 2010

I.

Era como se uma bomba-relógio instalada
Dentro do meu coração tivesse explodido,
Fazendo-me lembar de algo transcedental:

“Realmente, nenhum de nós temos tempo para pensamentos e estados de espírito imbecis”

E como só a ação conta (agir ao invés de falar): o que há de errado comigo e que me impede de agir?

O que está errado é o fato de que não gosto de assumir as responsabilidades pelos meus atos. Quando resolvo fazer alguma coisa, tenho de ir até o fim com aquilo, primeiro sabendo o por que de se fazer e, depois, prosseguindo com minhas atitudes sem ter dúvidas ou remorsos em relação ao que faço.  Sem dúvidas nem remorsos, pois não há tempo para pensamentos e estados de espírito imbecis… só há a morte e se eu tiver de morrer em consequencia de um passeio no deserto, morrerei.  Consegue ver? Nada é mais ou menos sério do que qualquer outra coisa, nem há grandes ou pequenas decisões…  só há decisões que tomamos frente à nossa morte inevitável e assumir a responsabilidade por estas decisões significa estar pronto para morrer por elas.

II.

“Disse que era uma vez um rapaz, um índio miserável, que vivia entre os brancos de uma cidade. Ele não tinha casa, nem parentes, nem amigos. Tinha ido para a cidade para fazer fortuna e só encontrara miséria e dor. De vez em quando, ganhava alguma coisa, trabalhando como um burro, mas aquilo mal dava para uma migalha; do contrário, ele tinha de mendigar ou roubar para poder comer. Dom Juan contou que, um dia, o rapaz foi à feira. Ele subia e descia as ruas meio tonto, os olhos loucos ao verem todas as coisas boas reunidas ali. Ficou tão alucinado que não viu onde pisava e terminou tropeçando numas cestas e caindo por cima de um velho. Este carregava quatro cabaças enormes e tinha acabado de sentar-se para descansar e comer. Dom Juan sorriu, com um ar matreiro, e disse que o velho achou muito estranho que o rapaz tivesse tropeçado nele. Não ficou zangado, e sim assombrado – por que motivo aquele determinado rapaz havia de cair em cima dele? O rapaz, ao contrário, ficou zangado e disse-lhe que saísse de seu caminho. Não estava nada preocupado com o significado daquele encontro. Não tinha reparado que seus caminhos tinham realmente se cruzado. Dom Juan imitou os movimentos de alguém correndo atrás de alguma coisa que está rolando. Disse que as cabaças do velho tinham caído e estavam rolando pela rua. Quando o rapaz viu as cabaças, achou que tinha encontrado comida para aquele dia. Ajudou o velho a levantar-se e insistiu em ajudá-lo a carregar as cabaças pesadas. O velho lhe disse que estava a caminho de sua casa nas montanhas e o rapaz insistiu em ir com ele, pelo menos parte do caminho. O velho tomou o caminho das montanhas e, enquanto caminhavam, deu ao rapaz parte da comida que tinha comprado na feira. O rapaz comeu à grande e, quando ficou satisfeito, reparou como as cabaças eram pesadas e agarrou-as com força. Dom Juan abriu os olhos e, com um sorriso diabólico, falou que o rapaz perguntou: “O que está levando nessas cabaças?” O velho não deu resposta, dizendo que ia levá-lo a um companheiro ou amigo que poderia aliviar as aflições dele e dar-lhe conselhos sábios a respeito das coisas do mundo.

 

Dom Juan fez um gesto majestoso com as duas mãos e disse que o velho chamou o veado mais lindo que o rapaz já vira. O veado era tão manso que chegou perto dele, andando em volta. Era todo reluzente. O rapaz estava boquiaberto e viu logo que se tratava de um “veado espírito”. O velho então lhe disse que, se ele quisesse ter aquele amigo e sua sabedoria, bastava largar as cabaças. O sorriso de Dom Juan retratava a ambição; disse que os desejos mesquinhos do rapaz foram espicaçados ao ouvir aquele pedido. Os olhos de Dom Juan fizeram-se miúdos e diabólicos, ao pronunciar a pergunta do rapaz: “O que é que leva nessas quatro cabaças enormes?” Dom Juan disse que o velho serenamente respondeu que estava carregando comida: ‘pinole’ e água. Ele parou de contar a história e andou em círculo umas duas vezes. Eu não sabia o que ele estava fazendo. Mas parece que era parte da história. O círculo parecia retratar os pensamentos do rapaz. Dom Juan disse que, naturalmente, o rapaz não acreditou em nada daquilo. Calculou que, se o velho, que obviamente era um mágico, estava disposto a dar um “veado espírito” por suas cabaças, então estas deviam estar cheias de um poder inacreditável. Dom Juan tornou a fazer uma careta com um sorriso diabólico e disse que o rapaz tinha declarado que queria ficar com as cabaças.
— E, então, — insisti — as cabaças estavam vazias?
— Só havia comida e água dentro das cabaças — respondeu. — E o rapaz, num acesso de fúria, despedaçou-as de encontro às pedras.

Falei que a reação dele era muito natural… qualquer pessoa na situação dele teria feito o mesmo. A resposta de Dom Juan foi que o rapaz era um tolo, que não sabia o que buscava. Não tinha conhecimento do que era o “poder”, de modo que não podia dizer se o havia encontrado ou não. Não assumira a responsabilidade por sua decisão e, portanto, ficara com raiva de seu engano. Esperava ganhar alguma coisa, e não ganhou nada. Dom Juan raciocinou que, se eu fosse o tal rapaz e se tivesse seguido minhas inclinações, eu teria acabado zangado e com remorsos e, sem dúvida, passaria o resto da vida com pena de mim mesmo e daquilo que tinha perdido. Depois, explicou o procedimento do velho. Espertamente, tinha alimentado o rapaz, para dar-lhe “a audácia da barriga cheia”, e assim, o rapaz, só encontrando comida nas cabaças, arrebentou-as num acesso de fúria.
— Se ele tivesse consciência de sua decisão e assumisse a responsabilidade por ela — falou Dom Juan — teria tomado a comida e ficado mais do que satisfeito com ela. E talvez até tivesse compreendido que aquela comida também era poder.”

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Desmoronamento

agosto 13, 2010

I.

Uma hora ou outra ele aparecerá
Não é preciso fazer nada para atraí-lo
Me imagino sentado, pensando nas mulheres,
E de repente um tapa no ombro e pronto

Lá esta ele ao meu lado!
Provavelmente irei molhar as calças…
E se eu lhe der as costas, sem nem pensar duas vezes,
Será somente devido à minha falta de caprichos

II.

Sem nada dizer, seu olhar cresce
E aquilo que parecia ser a luz dos seus olhos,
Domina tudo em volta

Seu corpo me lembra mais o de um felino
E teu movimento de gato me assusta
Fico em um estado de alerta que nunca sentira antes

E o mundo revela um estranho equilíbrio
Onde não há nada que possa ser acresentado
Nem nada que possa ser subtraído

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Estratégia

janeiro 13, 2010

Forças da vida que me dominam livremente…
Pro inferno com os meu caprichos!
Quem sou eu para resolver o que é importante?
O que eu sei a respeito das forças que experimento?

Esta na hora de repeitar tudo e de não espezinhar nada
Posso não ser um parceiro dócil,
Posso não estar disponível,
Mas pode ter certeza de que eu sei o que estou fazendo

Sei que espero e sei o que espero
Não me importo com os significados
Nem vou ficar dando bobeira

“— Não é possível viver estrategicamente o tempo todo — respondi.  Imagine que alguém o esteja esperando com uma carabina possante, de mira telescópica. Ele poderia avistá-lo com precisão a cem metros de distância. O que você faria?
Dom Juan olhou para mim com um ar de descrença e depois deu uma gargalhada.
— O que você faria? — insisti.
— Se alguém me estiver esperando com uma carabina de mira telescópica? — disse ele, evidentemente zombando de mim.
— Se alguém estiver escondido, à sua espreita. Você não terá uma chance. Não pode deter uma bala.
— Não, não posso. Mas ainda não entendi o que você quer provar.
— Quero provar que toda a sua estratégia não o pode ajudar, numa situação dessas.
— Mas pode, sim.  Se alguém estiver à minha espreita com uma carabina possante de mira telescópica, eu simplesmente não vou aparecer.”

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Disparada

dezembro 12, 2009

Um desafio ao bom-senso:
Não negar o que eu sou
E disparar uma flecha de vontade

Ignoro todas as estatisticas
E atravesso esta parede
Rumo ao satélite mais próximo

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Espera

novembro 13, 2009

I.

charada

“Aquele que tem conhecimento não necessariamente é aquele que consegue explicar tudo, como se o mundo inteiro fosse composto de coisas que podem ser explicadas. O propósito deve ser dirigido ao conhecimento, não à elaboração de charadas confusas!”

II.

Entendi, então, pela primeira vez na vida
que os olhos eram a única parte do homem
que me podiam mostrar se ele estava vivo ou não

III.

Quiz opor minhas vitórias e derrotas,
Mas não há vítima nem carrasco…
Apenas há a vida e suas forças

Como seria não precisar de mais nada?
Estar pleno, completo, cheio até a borda!
Tão cheio que qualquer coisinha que eu ganhasse
Fosse mais do que eu pudesse tomar?

Não querer nem desejar nada…
Somente esperar sabendo pelo o que se espera
Sem fome e sem dor

Nada mais me restará,
Apenas o poder de me opor às forças da vida
Pois sem essa força:
Serei nada além de lixo e poeira, levado pelo vento…

Dead Can Dance – Song of Sophia

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Desclareia

outubro 3, 2009

I.

É uma questão de escolha essa minha vida
Onde, por mais engraçado que possa parecer,
Me esforço para perceber a inutilidade dos meus atos
Sem parar de agir por causa disso

“Eu não sei fazer música, mas eu faço/ Eu não sei cantar as músicas que eu faço, mas eu canto”
Titãs

II.

urso polar sem chão

Essa sensação de destino iminente que me permeia,
Este enjoo que me deixa pálido,
O suor que encharca minhas mãos…
A inquietação que me faz andar e falar sem parar

Parece medo, mas não é

É um desconforto diante de uma simples ideia
Que destruíra  minha clareza…

Gelo na minha boca e nariz
Gelo que se estende ao meu peito
Meu corpo todo arde de frio

chtulhu

III.
Já se sentiu completamente incapaz de pronunciar uma só palavra? É nesse momento que podemos dizer coisas simples, desde que você saiba exatamente o que quer dizer… Mas não se engane, apesar de toda a seriedade que você traz consigo, tudo pode não passar de uma grande palhaçada!

palhaçada

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Pássaro

julho 18, 2009

corvo

Suas palavras estavam impressas em minha mente
Ouvi-as com clareza e persistência extraordinárias
O único meio de voar é deixar que eu o lance no ar

Minha visão de pássaro!
Estou sozinho cortando o ar
Voo sem exuberância

Pássaros prateados irradiam uma luz brilhante e metálica
Intensa, móvel e viva
Gosto deles, voamos juntos

O Uivo – Parapapá