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agosto 5, 2010

A fogueira e sua estranha dança
De cores azuis, brancas, verdes…
E de muitas fagulhas que explodem em pleno voo

Só agora tenho a sensação
De que não há como voltar
A um ponto de partida original

Não existe começo,
O ponto de partida sou eu mesmo
E agora que  te procuro, se tornas
O que sempre foi:

Uma imagem passageira que desaparece por detrás de um morro

O Sol alcança as nuvens no horizonte
Tingindo-as de laranja…
Uma bola vermelha flutuando na névoa
Que logo será engolida pelas montanhas

Não que eu queira chorar… mas as lágirmas rolam soltas!
E agora que a noite chega, me sinto melhor…
Acho a escuridão muito mais criativa e protetora
Do que a forte luz do dia

Desenhos na parede, Roberto Carlos

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3 comentários

  1. “Há criaturas que não pedem mais do que isso; gente que. possuindo o azul do céu, diz: é o bastante! Sonhadores absorvidos no prodígio, bebendo na idolatria da natureza a indiferença do bem e do mal, contempladores do cosmos radiantemente distraídos do homem, que não compreendem como alguém ocupa-se com a fome destes, com a sede daqueles, com a nudez do pobre no inverno, com a curvatura linfática de uma pequena espinha dorsal, com o catre, com as mansardas, com o cárcere, com os andrajos das jovens trêmulas, quando se pode sonhar sob as árvores; espíritos pacíficos e terríveis, impiedosamente satisfeitos.
    Coisa estranha, basta-lhes o infinito. Essa grande necessidade do homem, o finito, que admite o enlaçamento, eles ignoram. O finito, que admite o progresso, o trabalho sublime, nisso não pensam. O indefinido, que nasce da combinação humana e divina do imfinito com o finito, lhes escapa. Contanto que estejam face a face com a imensidão, eles sorriem. Jamais a alegria, sempre o êxtase. Abismar-se, eis a vida deles. Para eles, a história da humanidade é apenas um plano fragmentário; o Tudo não existe; o verdadeiro Tudo fica de fora; para que ocupar-se com esse detalha, o homem? O homem sofre, é possível; mas olhem então para Aldebarã que se levanta! A mãe não tem mais leite, o recém-nascido está morrendo, não sei de nada, mas contemplem esta rosácea maravilhosa formada por um pequeno disco da casca de um pinheiro examinado ao microscópio! Comparem-na às mais belas rendas! Esses pensadores se esquecem de amar. O zodíaco os influencia a ponto de impedi-los de ver a criança que chora. Deus eclipsa suas almas. Formam uma família de espíritos, ao mesmo tempo pequenos e grandes. Horácio, Goethe, e talvez La Fontaine, eram dessa família; magníficos egoístas do infinito, espectadores tranquilos da dor, que, se o tempo esta bom, não veem Nero, e para quem o sol esconde as fogueiras, que olhariam guilhotinar procurando um efeito de luz, que não ouviriam o grito, nem o estertor, nem o sino, para quem tudo esta bem já que o mês de maio existe; para quem, enquanto houver nuvens de púrpura e de ouro acima de suas cabeças, haverá contentamento, e que se determinam a ser felizes até que se esgote o brilho dos astros e o canto dos pássaros.
    São os radiantes tenebrosos. Eles nem suspeitam que sejam dignos de lástima. Certamente o são. Quem não chora não vê. É preciso admirá-los e lastimá-los, como se lastimaria e admiraria um ser ao mesmo tempo noite e dia, que não tivesse olhos sob as sobrancelhas mas um astro no meio da testa.
    A indiferença desses pensadores é, segundo dizem alguns, uma filosofia superior. Pode ser, mas nessa superioridade há enfermidade. Pode-se ser imortal e coxo; exemplo, Vulcano. Pode-se ser mais que homem e menos que homem. O incompleto imenso está na natureza. Quem sabe se o sol não é um cego?”

    Victor Hugo, em “Os Miseráveis”


  2. o mistério mais fabuloso e precioso está escondido no olhar do outro… está escondido dentro de cada vida que não nos pertence e ao mesmo tempo faz parte de nós… é difícil de se admitir, mas somos responsáveis, sempre seremos responsáveis…

    Ps: eu ia comentar o post, mas acabei comentando primeiro o seu comentário…

    Sobro o post:
    na escuridão é que revelamos à nós mesmos nossa verdadeira face…


  3. A partir do momento em que você se sente responsável por uma vida que não lhe pertence, naturalmente, sem esforço nem remorços, você é impelida a agir, nem que seja na calada da noite!
    Mas primeiro há uma pergunta a ser respondida… uma pergunta direta – como todas as perguntas feitas por dois que se entendem – E a sua vida? A quem pertence?



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