Archive for agosto \22\UTC 2010

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Mudança?

agosto 22, 2010

Se voltarei ou não, isso não tem importância.
Agora tenho a necessidade de viver
Da forma que eu sempre soube que deveria,
Mas que desprezava

Nada me foi dado de mão beijada,
Nem me foi apenas entregue…
Pra chegar até aqui tive de lutar comigo mesmo

E, no entanto, ainda tenho uma luz
Que um dia irá se apagar…
Ainda morrerei como todo mundo

Não há nada que se modifique num ser luminoso
Nada realmente mudou em mim

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O estorvo da razão

agosto 15, 2010

I.

Querer entender tudo
É um obstáculo inato
Que desconsidera todo as minhas possibilidades
Como um ser humano

Se fui sacudido de meu sono total,
Ainda é pouco,
Pois até isso poderia ter se realizado
De qualquer forma, por outras circunstâncias

Se minha razão não acredita no fato
De que uma mesma folha
Pode cair mais de uma vez
De uma mesma árvore

É certo que isso ocorrerá diante dos meus olhos
Para que eu pare de tentar entender
Pois o entendimento é uma faculdade pequeneníssima

II.

Um ruído de algo se rasgando
E uma sensação de vácuo no abdômen…
E de queda… intensa mas indolor

Já não há mais o que explicar
Só agindo é que se pode modificar-se
E é mudando de direção que se rompe as correntes

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Desmoronamento

agosto 13, 2010

I.

Uma hora ou outra ele aparecerá
Não é preciso fazer nada para atraí-lo
Me imagino sentado, pensando nas mulheres,
E de repente um tapa no ombro e pronto

Lá esta ele ao meu lado!
Provavelmente irei molhar as calças…
E se eu lhe der as costas, sem nem pensar duas vezes,
Será somente devido à minha falta de caprichos

II.

Sem nada dizer, seu olhar cresce
E aquilo que parecia ser a luz dos seus olhos,
Domina tudo em volta

Seu corpo me lembra mais o de um felino
E teu movimento de gato me assusta
Fico em um estado de alerta que nunca sentira antes

E o mundo revela um estranho equilíbrio
Onde não há nada que possa ser acresentado
Nem nada que possa ser subtraído

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agosto 5, 2010

A fogueira e sua estranha dança
De cores azuis, brancas, verdes…
E de muitas fagulhas que explodem em pleno voo

Só agora tenho a sensação
De que não há como voltar
A um ponto de partida original

Não existe começo,
O ponto de partida sou eu mesmo
E agora que  te procuro, se tornas
O que sempre foi:

Uma imagem passageira que desaparece por detrás de um morro

O Sol alcança as nuvens no horizonte
Tingindo-as de laranja…
Uma bola vermelha flutuando na névoa
Que logo será engolida pelas montanhas

Não que eu queira chorar… mas as lágirmas rolam soltas!
E agora que a noite chega, me sinto melhor…
Acho a escuridão muito mais criativa e protetora
Do que a forte luz do dia

Desenhos na parede, Roberto Carlos