Archive for janeiro \25\UTC 2010

h1

Seppuku

janeiro 25, 2010

Cada vez que eu começava a pensar no seu rosto
Minha mente sofria um bombardeio de pensamentos
Como se parte de mim soubesse do segredo
Sem permitir que o resto se aproximasse

Será este  o rosto da minha morte?
Como no Livro Tibetano dos Mortos
Que não fala da morte
E o que é a morte?

Um turbilhão, um rosto aliado…
Uma nuvem brilhante no horizonte
O guarda e Genaro sentado na própria cabeça
Eu escrevendo e você lendo

Não há sentido na morte
Se eu não relacioná-la com a minha própria morte
Primeiro, o desmaio…
Depois o encontro com a morte

Acordo e a morte se choca comigo numa fúria muda
Me dissolvendo no nada, o mesmo nada que antes era a morte…
Um pontinho dentro de mim que se espalha como uma força incontrolável
Que me faz exandir, me achata e me estende

Sobre o céu, a terra e além
Minha vida seria uma névoa de cristais
Se movendo, movendo… e sumindo
Até que minha vontade possa me juntar novamente

Anúncios
h1

Aliados

janeiro 24, 2010

Pareço estar meio distraído, sem concentração
Nada para fazer, acabo indo dormir
E, antes de despertar, sinto o cheiro de folhas

Arrisco um banho frio de olhos fechados
Para ver se acordo de vez
Já vi este quarto centenas de vezes
Mas desta vez ele não me parece real

Parece que se alguém bater em cima de minha cabeça
Esta cena desaparecerá como num sonho…
Mas não tenho pressa nem estou à toa
Afinal, não posso enfrentar um leão com meus peidos!

O susto foi o meu descuido
Enquanto você me dava as boas vindas
Agora não posso mais vacilar
Senão serei feito em pedaços

h1

janeiro 19, 2010

I.

Sinto que sei exatamente o que ele havia me dito
Apesar de não poder me lembrar com uma memória clara
Suas palavras são como um trem que se afasta…
Um trem de palavras

Há um movimento hipnótico de luzes
Uma luz que vacila, mas nunca extravasa,
Se move num limite invisível


II.


À minha frente, um morro grande e comprido
Com toda a sua encosta arada.
Da base até o cume,
Sulcos horizontais o cortam paralelamente

No sopé do morro,
Um ribeirão com um mato verde,
Diferente do morro árido,
Sopra uma brisa nos meus olhos

Um homem caminha ao lado dos sulcos
Sandálias, calça cinza, camisa bege, chapéu de palha…
E uma sacola com uma alça por cima do ombro direito

Esta de pé junto a uma pedra, olhando pra mim
Seu chapéu cobre a maior parte do rosto
Depois de um momento, ele começa a andar em direção ao ribeirão
E some juntamente com a paisagem


h1

Estratégia

janeiro 13, 2010

Forças da vida que me dominam livremente…
Pro inferno com os meu caprichos!
Quem sou eu para resolver o que é importante?
O que eu sei a respeito das forças que experimento?

Esta na hora de repeitar tudo e de não espezinhar nada
Posso não ser um parceiro dócil,
Posso não estar disponível,
Mas pode ter certeza de que eu sei o que estou fazendo

Sei que espero e sei o que espero
Não me importo com os significados
Nem vou ficar dando bobeira

“— Não é possível viver estrategicamente o tempo todo — respondi.  Imagine que alguém o esteja esperando com uma carabina possante, de mira telescópica. Ele poderia avistá-lo com precisão a cem metros de distância. O que você faria?
Dom Juan olhou para mim com um ar de descrença e depois deu uma gargalhada.
— O que você faria? — insisti.
— Se alguém me estiver esperando com uma carabina de mira telescópica? — disse ele, evidentemente zombando de mim.
— Se alguém estiver escondido, à sua espreita. Você não terá uma chance. Não pode deter uma bala.
— Não, não posso. Mas ainda não entendi o que você quer provar.
— Quero provar que toda a sua estratégia não o pode ajudar, numa situação dessas.
— Mas pode, sim.  Se alguém estiver à minha espreita com uma carabina possante de mira telescópica, eu simplesmente não vou aparecer.”

h1

Náufrago

janeiro 8, 2010

Me movo na água encoberta pela neblina
Resultante do seu fervilhamento
Bolhas de água explodem e me envolvem…

Não vou me entregar a nada!
Nem mesmo à minha morte!
Hoooowwwww????

Pego carona em palavras que vêm das profundezas
E me carregam para a superfície
Eu sou parte da água em que naufrago
E o mundo é uma bóia em que me agarro

Minha voz parece mais um cachorro uivando
E alguém uiva de volta:
“Hoooowwww, qui-qui-qui-qui, hahahaha”

A água ferve em bolhas e eu as acompanho…
Me fixo em uma e passo a flutuar com ela
Mas há uma voz metálica vinda de um auto-falante…

Vou de encontro a uma parede de concreto
Uma quantidade imensa de água me engolfa
Fazendo um imenso barulho que cessa instantaneamente
Só me deixando essa sensação de sono

É a água que me envolve novamente
Deixando uma pergunta:
Em que direção eu flutuava?

h1

A confusão das palavras

janeiro 7, 2010

Nada é importante
Mas temos que vencer tudo
Deixando tudo se tornar nada

É como se houvesse um guarda que precisa ser vencido
E não importa se você gosta ou não dele
Enquanto você sentir alguma coisa por ele
O guarda permanecerá

Este guarda nunca deixará de existir
Mas se você não tiver nenhum sentimento por ele
Ele se tornará nada, mesmo estando diante de você

h1

janeiro 3, 2010


O céu esta muito escuro
Aos poucos a tensão aumenta
Reverberação e ecos
Que chegam sempre de uma mesma direção

Uma nota baixa que se amplia
Aumentando a sua intensidade
Até se tornar um clamor uivante

Um grito fantástico, inconcebível…
Meu corpo antes quente e confortável
Agora treme de frio e meus dentes batem incontrolavelmente