Archive for julho \25\UTC 2009

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Pétalas Soltas

julho 25, 2009

Tenho medo de perder a minha rigidez
E por isso mesmo tudo o que eu lembro
Não passa de um sonho louco
De imagens vagas, dissociadas e sem continuidade

– Isso significa que era na parte da tarde – disse ele. – O Sol ainda não se tinha posto. O corvo fica cego com a claridade e não com a escuridão. Essa indicação da hora situa seus últimos emissários no fim do dia. Eles lhe chamarão e, ao voarem por cima de sua cabeça, tornar-se-ão brancos prateados; você os verá brilhando no céu e isso significará que sua hora chegou. Significará que vai morrer e virar um corvo.
– E os seus emissários, Dom Juan?
– Os meus virão de manhã. Também haverá três deles. Meu benfeitor me disse que a gente pode gritar para eles voltarem a ser pretos, se não quiser morrer. Mas agora sei que isso não se pode fazer.(…) Quando seus emissários prateados vierem buscá-lo, não precisa gritar. Basta voar com eles, como já fez. Depois de terem apanhado você, eles vão mudar de direção e serão quatro voando embora.

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Pássaro

julho 18, 2009

corvo

Suas palavras estavam impressas em minha mente
Ouvi-as com clareza e persistência extraordinárias
O único meio de voar é deixar que eu o lance no ar

Minha visão de pássaro!
Estou sozinho cortando o ar
Voo sem exuberância

Pássaros prateados irradiam uma luz brilhante e metálica
Intensa, móvel e viva
Gosto deles, voamos juntos

O Uivo – Parapapá

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julho 16, 2009

infierno de luca signorelli

As vezes as pessoas são enganadoras
Cantam as canções dos outros
Sem nem saber o que as mesmas dizem

Só há um mundo possível para nós
E não podemos largá-lo
O mundo da felicidade, onde não há diferença entre as coisas
Só existe porque lá ninguém indaga pela diferença

Mas esse não é o nosso mundo
Pensamos e lutamos: este é o nosso mundo!
E estamos condenados a ele
Você acha que vive em dois mundos por pura vaidade

Só existe um único mundo para nós
Siga-o com satisfação

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Dissolução

julho 15, 2009

morte e renascimento

Então eu o soube
O que quer que esteja encerrado aqui
Não depende de mim para existir

Canto febrilmente até não poder mais pronunciar as palavras
É como se as canções estivessem dentro do meu corpo
Me sacudindo incontrolavelmente
Tenho que sair, encontrá-la,  senão explodo

Sinto cada passo, eles ressoam na terra
Seu eco produz a euforia indescritível de ser homem
Sentei-me diante dela e cantei minhas canções
“O que você quer?”

Era como se não tivéssemos tempo
E eu tivesse de dizer tudo de uma só vez
E aquilo me ascendeu
Encheu todos os cantos do meu corpo com calor e clareza

Aquela sensação especial durou tempo suficiente
Para que eu pudesse tomar conhecimento dela
Então, mudou para um terror opressivo
Alguma coisa enorme respirava e se movia em volta de mim

Estou sendo caçado, meu perseguidor avança
Secretando ácido digestivo a fim de me dissolver
Um pingo caiu no meu braço e logo fico quase vaporoso
Uma luz esta saindo de debaixo da terra

É o Sol erguendo-se por detrás dos montes

Perfeição – Legião Urbana

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Canção

julho 14, 2009

Preciso aprender a viajar
Parar de fazer perguntas burras sobre bobagens
E ter a atitude correta

Posso ver muito melhor de olhos fechados
E você não olha para mim
Quero saber porque você me evita

Lhe peço, em voz alta, que me ensine uma canção
E imediatamente a ouço em meus ouvidos
E mais outra
E as canto até chegar a manhã

O Segredo Do Universo – Raul Seixas

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Olhares

julho 13, 2009

Alguma coisa pareceu parar em mim
Não havia mais pensamentos
Sua voz era suave e calmante
E infinitamente agradável

Um calor vindo do coração me invadiu
Lembrando-me a infância esquecida
Não tenho mais corpo e estou livre
Para transformar-me no que eu quiser

Entro nos seus braços estendidos
Estou dentro do seu peito
E vejo o mundo através de seus olhos

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julho 11, 2009

transparente

O quarto estava quase escuro
Seu olhar era amigo, preocupado
Mostrava que eu fizera a escolha havia muito tempo

Comecei a sentir um calor estranho em minha cabeça
Um calor frio! Um calafrio?
Já não sei mais o que é frio ou calor

Minha pele se derreteu
E agora atravesso objetos
Nada de músculos ou esqueleto
Somente o pensamento