Archive for maio \31\UTC 2009

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Tempestade de areia

maio 31, 2009

fogo

Pancadas na janela e barulho de vidros quebrados
A cabeça de um lobo…
Olho friamente para a janela
E o que eu vejo é uma miríade de pequenas manchas

Como a coluna de areia das tempestades do deserto

Em vão, tento mexer-me…
Ouço sinos e cães uivando
E o único som que me reconforta

É o canto de um rouxinol, bem perto de casa

O ar está cheio de manchas
Que flutuam e circulam
Empalidecendo as luzes

É tempo de ir, Deus que me ajude!

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maio 30, 2009

Flor

Olhos sem brilho 
Não se lembram de coisas
Que aconteceram há algum tempo

A lua acalma…
É uma questão de vida ou morte,
Talvez mais do que isso

Palidez total, lábios e gengivas
Sem cor alguma
Ossos que parecem querer furar a pele 

Necessitam de sangue…
Ou de um colar de flores!

Rosa dos Ventos – Chico Buarque

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Febre cerebral

maio 29, 2009

ruínas

Sensação de vácuo em torno de mim
Tudo em volta está escuro
Só o deserto, enquanto sigo pela orla do cais

Um vulto branco ao lado de um vulto negro
Pernas trêmulas, respiração ofegante
Caminho depressa, embora meus pés pareçam chumbo
E as juntas do meu corpo, enferrujadas

Dois olhos ardentes e vermelhos me olharam
Sento-me diante da janela

Um crepúsculo de nuvens purpúreas
Incendeia o céu
Lançando um clarão rosado sobre a paisagem

À luz do crepúsculo seus olhos parecem brasas
Atração magnética, mergulho em águas profundas
Perda de sentidos…

Volto com violentas sacudidas

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Mistério do mar

maio 28, 2009

mar

Atmosfera opressiva e silêncio completo
Um ruído estranho vindo do mar encheu o ar
A tempestade se desencadeou

Ondas erguem-se furiosamente
Gritos de angústia irrompem de todos os lados
Mesmo dos homens mais fortes

Arrastado pelas ondas, um navio encalha na praia
E, por mais estranho que pareça,
Um cão enorme pula da proa,
cai na areia e sai correndo como uma flecha

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Aquele que dorme enquanto todos estão despertos, estará acordado quando todos estiverem dormindo?

maio 27, 2009

ciganos

Havia algumas provas de que eu  sonhara
Mas receio que não tenha sido sonho
Corri à janela e gritei
Homens me olharam estupidamente

Pequenas manchas flutuam ao luar
Parecem fantasmas
Um ruído de choro abafado
Gritos agoniados de mulher

Minha angústia era tanta
Que não hesitei em arriscar a vida
E tornei-me presa de um desejo furioso
De livrar o mundo de tal monstro

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maio 26, 2009

Cliff

Uma irritação profunda me toma conta
Pareço um rato apanhado numa ratoeira
E o mistério me rodeia

Uma lagartixa, com os dedos das patas agarrados à parede,
Anda velozmente de cabeça para baixo…
Qualquer coisa serve para distrair um prisioneiro

Enquanto viver aqui, minha única esperança é não enlouquecer

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Que música fazem!

maio 25, 2009

montanha

Esperei por um tempo infinito
E esperava acordar, de repente, em minha casa
Pestanejava ao lembrar do seu toque frio como o gelo
E uma horrível sensação de náusea me dominou

“Ouça-os… os filhos da noite. Que música fazem!
Os senhores, habitantes das cidades,
não podem compreender os sentimentos de um caçador.”

Um mar de contradições estranhas
Que não me atrevo a confessar
Perturbam-me nesta prisão
Onde sou prisioneiro