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De passagem…

novembro 24, 2010

Sabe… estamos em um mundo fantástico
E devemos assumir a responsabilidade de estar em tal lugar
Você pode até estar caceteado ou com raiva dele
Mas isso não o torna menos estupendo

Assomboroso
Misterioso
Insondável

Estamos aqui neste deserto maravilhoso
Nesta época maravilhosa
Mas ficaremos por pouco tempo
Tempo de menos para podermos presenciar todas as suas maravilhas

E é por isso que todos os atos contam!

Se ficar com raiva do mundo faz parte da condição humana…
Então modifique-a!
Mais vale estar morto do que não conseguir reagir a este desafio

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O passo mágico dos anjos entre o caminho pisado dos insetos

novembro 14, 2010

Lhe assusto com o meu comportamento inesperado porque o seu comportamento esperado esta me fazendo subir pelas paredes! Seu espírto, fixo em rotinas pesadas e esquisitices, esta se tornando uma presa fácil. Repare nos animais: eles comem e bebem em certos lugares, fazem seus ninhos em pontos especiais, deixam seus rastros de certas maneiras… enfim, tudo o que fazem pode ser previsto ou reconstuído por um bom caçador. Entretanto, saber tudo isso não o torna um caçador digno do nome. Para ser um caçador, você deve tomar o cuidado de não passar a se comportar como a sua presa. Todos nós, em algum momento da nossas vidas, nos comportamos como a presa que perseguimos e isso, naturalmente, nos torna presa para algo ou alguém. Por isso, o maior desafio para um caçador é deixar de ser presa. Um caçador é livre, fluido e imprevisível. Não me importa se você acha que isto não passa de uma idealização impossível de ser realizada. Para ser um bom caçador, é necessário romper as rotinas da sua vida.

 

 

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Aos do sertão

novembro 6, 2010

Mostrar-se e esquivar-se
No momento oportuno…
Eis aí um grande segredo

Afinal de contas, não faz sentido se esconder
Se todo mundo sabe que você esta escondido!
Somos todos tolos, todos nós, eu e você, inclusive
Mas, até quando?

É preciso ser inacessível. E isto é diferente de ser dado a mistérios ou, então, de procurar esconder-se do mundo ou das pessoas. Ser inacessível é mais como tocar o mundo com leveza. É não encher a pança de comida, é não danificar as plantas, os rios, o ar, somente para fazer um lanchinho, é não utilizar e expremer as pessoas (especialmente as que amamos) até que elas sumam, é não se preocupar e, em desespero, agarrar-se a qualquer coisa… é preciso agir, propositadamente, de forma a evitar o esgotamento de si mesmo e dos outros. Afinal, por que agir feito um pobre filho da mãe que acha que nunca mais vai comer a vida toda e, então, devora tudo o que se vê pela frente?

Tocá-la de leve…
Ficar o tempo necessário
E, depois, passar adiante rapidamente
Deixando uma marca quase que imperceptível

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Le Grand Cirque

outubro 19, 2010

I.

Sítio, publicado em 16 de junho de 2009


Meus olhos sentiram enquanto
Eu não olhava diretamente
Meus olhos são tudo o que eu tenho

Vários tons brilhantes de cores
Senti um gosto de metal na boca
Dor de cabeça, ânsia de vômito…
Como um idiota me enfureci

Desistiria se não tivesse sido
Inflexível comigo mesmo

Era como se algo empurrasse o meu estômago
Dei um salto e recuei num movimento só
Pelos da nuca arrepiados, na ponta dos pés,
Meu tronco debruçou-se para frente

Os braços, esticados, e os dedos
Dobrados como garras
Reparei em mim mesmo
E fiquei ainda mais assustado

Simplesmente aquele não era o meu lugar
Encostei as costas em uma pedra para repousar
E adormeci… Ah, só um tolo para não notar a diferença

II.

O que você vê não me importa nem um pouco
Você pode até ver um elefante no meio da rua
Que eu não estou nem aí
O que você sente, isso sim é importante

Adoraria fazer sua vontade, e sentar para descansar com você aí
Mas prefiro me acomodar em outro lugar,
Enquanto dou altas risadas

Meu riso te incomoda,  o deixa irritado?
Acha que estou caçoando de você?
Se sente um brinquedo em minhas mãos?

Oh meu amigo, foi preciso correr em sua direção
Te arrastar, antes que todos os teus sentimentos
Fossem dominados por este lugar

Foi como se eu tivesse agarrado o pó macio
E avermelhado do deserto
Para dar uma cambalhota por cima de você

E agora que enxugo o suor da minha testa
Vejo que quem ri
É você

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“É tarde! É tarde!”

outubro 12, 2010

I.

Era como se uma bomba-relógio instalada
Dentro do meu coração tivesse explodido,
Fazendo-me lembar de algo transcedental:

“Realmente, nenhum de nós temos tempo para pensamentos e estados de espírito imbecis”

E como só a ação conta (agir ao invés de falar): o que há de errado comigo e que me impede de agir?

O que está errado é o fato de que não gosto de assumir as responsabilidades pelos meus atos. Quando resolvo fazer alguma coisa, tenho de ir até o fim com aquilo, primeiro sabendo o por que de se fazer e, depois, prosseguindo com minhas atitudes sem ter dúvidas ou remorsos em relação ao que faço.  Sem dúvidas nem remorsos, pois não há tempo para pensamentos e estados de espírito imbecis… só há a morte e se eu tiver de morrer em consequencia de um passeio no deserto, morrerei.  Consegue ver? Nada é mais ou menos sério do que qualquer outra coisa, nem há grandes ou pequenas decisões…  só há decisões que tomamos frente à nossa morte inevitável e assumir a responsabilidade por estas decisões significa estar pronto para morrer por elas.

II.

“Disse que era uma vez um rapaz, um índio miserável, que vivia entre os brancos de uma cidade. Ele não tinha casa, nem parentes, nem amigos. Tinha ido para a cidade para fazer fortuna e só encontrara miséria e dor. De vez em quando, ganhava alguma coisa, trabalhando como um burro, mas aquilo mal dava para uma migalha; do contrário, ele tinha de mendigar ou roubar para poder comer. Dom Juan contou que, um dia, o rapaz foi à feira. Ele subia e descia as ruas meio tonto, os olhos loucos ao verem todas as coisas boas reunidas ali. Ficou tão alucinado que não viu onde pisava e terminou tropeçando numas cestas e caindo por cima de um velho. Este carregava quatro cabaças enormes e tinha acabado de sentar-se para descansar e comer. Dom Juan sorriu, com um ar matreiro, e disse que o velho achou muito estranho que o rapaz tivesse tropeçado nele. Não ficou zangado, e sim assombrado – por que motivo aquele determinado rapaz havia de cair em cima dele? O rapaz, ao contrário, ficou zangado e disse-lhe que saísse de seu caminho. Não estava nada preocupado com o significado daquele encontro. Não tinha reparado que seus caminhos tinham realmente se cruzado. Dom Juan imitou os movimentos de alguém correndo atrás de alguma coisa que está rolando. Disse que as cabaças do velho tinham caído e estavam rolando pela rua. Quando o rapaz viu as cabaças, achou que tinha encontrado comida para aquele dia. Ajudou o velho a levantar-se e insistiu em ajudá-lo a carregar as cabaças pesadas. O velho lhe disse que estava a caminho de sua casa nas montanhas e o rapaz insistiu em ir com ele, pelo menos parte do caminho. O velho tomou o caminho das montanhas e, enquanto caminhavam, deu ao rapaz parte da comida que tinha comprado na feira. O rapaz comeu à grande e, quando ficou satisfeito, reparou como as cabaças eram pesadas e agarrou-as com força. Dom Juan abriu os olhos e, com um sorriso diabólico, falou que o rapaz perguntou: “O que está levando nessas cabaças?” O velho não deu resposta, dizendo que ia levá-lo a um companheiro ou amigo que poderia aliviar as aflições dele e dar-lhe conselhos sábios a respeito das coisas do mundo.

 

Dom Juan fez um gesto majestoso com as duas mãos e disse que o velho chamou o veado mais lindo que o rapaz já vira. O veado era tão manso que chegou perto dele, andando em volta. Era todo reluzente. O rapaz estava boquiaberto e viu logo que se tratava de um “veado espírito”. O velho então lhe disse que, se ele quisesse ter aquele amigo e sua sabedoria, bastava largar as cabaças. O sorriso de Dom Juan retratava a ambição; disse que os desejos mesquinhos do rapaz foram espicaçados ao ouvir aquele pedido. Os olhos de Dom Juan fizeram-se miúdos e diabólicos, ao pronunciar a pergunta do rapaz: “O que é que leva nessas quatro cabaças enormes?” Dom Juan disse que o velho serenamente respondeu que estava carregando comida: ‘pinole’ e água. Ele parou de contar a história e andou em círculo umas duas vezes. Eu não sabia o que ele estava fazendo. Mas parece que era parte da história. O círculo parecia retratar os pensamentos do rapaz. Dom Juan disse que, naturalmente, o rapaz não acreditou em nada daquilo. Calculou que, se o velho, que obviamente era um mágico, estava disposto a dar um “veado espírito” por suas cabaças, então estas deviam estar cheias de um poder inacreditável. Dom Juan tornou a fazer uma careta com um sorriso diabólico e disse que o rapaz tinha declarado que queria ficar com as cabaças.
— E, então, — insisti — as cabaças estavam vazias?
— Só havia comida e água dentro das cabaças — respondeu. — E o rapaz, num acesso de fúria, despedaçou-as de encontro às pedras.

Falei que a reação dele era muito natural… qualquer pessoa na situação dele teria feito o mesmo. A resposta de Dom Juan foi que o rapaz era um tolo, que não sabia o que buscava. Não tinha conhecimento do que era o “poder”, de modo que não podia dizer se o havia encontrado ou não. Não assumira a responsabilidade por sua decisão e, portanto, ficara com raiva de seu engano. Esperava ganhar alguma coisa, e não ganhou nada. Dom Juan raciocinou que, se eu fosse o tal rapaz e se tivesse seguido minhas inclinações, eu teria acabado zangado e com remorsos e, sem dúvida, passaria o resto da vida com pena de mim mesmo e daquilo que tinha perdido. Depois, explicou o procedimento do velho. Espertamente, tinha alimentado o rapaz, para dar-lhe “a audácia da barriga cheia”, e assim, o rapaz, só encontrando comida nas cabaças, arrebentou-as num acesso de fúria.
— Se ele tivesse consciência de sua decisão e assumisse a responsabilidade por ela — falou Dom Juan — teria tomado a comida e ficado mais do que satisfeito com ela. E talvez até tivesse compreendido que aquela comida também era poder.”

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Olhar de rapina

outubro 2, 2010

I.

Pensei que já havia vencido isto
Mas tornei a sentir a terrível dúvida e apreensão
Que já experimentara antes

Talvez eu também seja um pouco maluco, já que gosto de andar por aqui. Aparentemente, não era nada além de um exercício intelectual da minha parte. Entretanto, no momento em que me defrontrei com o seu comportamento esquisito, comecei a ficar apreenssivo e tive vontade de partir imediatamente.

Para o meu completo assombro,
Não consigo me livrar do seu olhar
Feroz e ardente

O que eu vejo em seus olhos?
Digo que não vejo nada,
Digo que vejo o meu constrangimento…

Resolvo parar de lutar contra este olhar
E  a  ferocidade fria contida em seus olhos
Me revelam a imagem de uma rapina

E, naquele momento, fez-se um caos total em minha mente

II.

A morte é nossa eterna companheira. Quando sentimos que tudo está errado e estamos prestes a sermos aniquilados,  somente a nossa morte pode dizer: “Não, isto não é verdade… ainda não o toquei…”
Perde-se uma quantidade enorme de mesquinharia se a morte, alguma vez, chegar a lhe fazer algum gesto como este, quase como um susurro no ouvido… permitindo um calafrio por toda a espinha em resposta à  sua frieza… Morte: a verdadeira espreitadora, que sempre me espreitará, até o dia em que me tocar.

Como alguém pode sentir-se importante, quando sabe que a morte está em seu encalço? Ela é a caçadora que nos aconselha a largar as malditas mesquinharias próprias dos homens que vivem suas vidas como se a morte nunca fosse lhes tocar. Eu sou cheio de besteiras, mas a morte é a única conselheira sábia que possuo.

III.

Cruzo o deserto por horas a fio
Sem me perguntar se há alguma finalidade nisto…
Não importa…

Há uma alegria pura e simples
De me mover sem nenhum objetivo intelectual
Apenas sentindo a sua presença em minha volta

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setembro 28, 2010

Não há como ser leal com o universo a nossa volta, se nos acharmos a coisa mais importante deste mundo. Hoje mesmo, irei contar isto pra primeira plantinha que encontrar…